O conselho de Gamaliel e o “achismo” no meio evangélico

A bíblia estabelece os únicos princípios confiáveis para formularmos uma opinião ou doutrina. Nosso argumento não pode ser baseado no “achismo”. Se algo funciona então é aprovado por Deus, se não dá resultado, então Deus não se agrada. Essa é uma visão pragmática das coisas, onde os fins justificam os meios. Nada é mais contrário ao caráter de Deus.

                 Os apóstolos foram presos por pregarem o evangelho. Porém, um anjo os libertou da prisão milagrosamente. Quando saíram da prisão voltaram a pregar.  (At 5.17-26). Depois, eles foram entregues ao sinédrio, que era uma espécie de tribunal religioso, onde eram julgados violações a lei de Moisés. No sinédrio havia um homem chamado Gamaliel, fariseu, mestre da lei. Ele procurou ser benevolente com os apóstolos e estabeleceu um princípio para avaliar se os apóstolos estavam cometendo um crime ou não “Mas, levantando-se no sinédrio certo fariseu chamado Gamaliel, doutor da lei, acatado por todo o povo, mandou que por um pouco saíssem aqueles homens; e prosseguiu: varões israelitas, acautelai-vos a respeito do que estai para fazer a estes homens. Porque, há algum tempo, levantou-se Teudas, dizendo ser alguém; ao qual se ajuntaram uns quatrocentos homens; mas ele foi morto, e todos quantos lhe obedeciam foram dispersos e reduzidos a nada. Depois levantou-se Judas, o Galileu, nos dias de recenseamento, e levou muitos após si; mas também este pereceu, e todos quantos lhe obedeciam foram dispersos. Agora vos digo: dai de mão a estes homens, e deixai-os, porque este conselho ou esta obra, caso seja dos homens, se desfará; Mas, se é de Deus, não podereis derrotá-los; para que não se ache porventura, achados até combatendo contra Deus.” (At 5.34-39)

                  Gamaliel usou um princípio lógico. Citou dois exemplos de homens que se rebelaram contra a lei: Teudas e Judas. Um atraiu 400 homens após si, porém acabou morto e seus discípulos dispersos. Igualmente aconteceu com Judas, seu projeto falhou. Gamaliel usou esses dois exemplos como critério para determinar a culpa ou a inocência dos apóstolos. Porém, o critério de Gamaliel não é confiável. É evidente que nem sempre a obra de Deus tem sucesso neste mundo, e geralmente a obra do inimigo se expande. O pastor Hernandes Dias Lopes citando o teólogo Jonh Stott afirma “Não nos devemos precipitar em conceder a Gamaliel o crédito de ter pronunciado um princípio absoluto. É verdade que, afinal de contas, o que vem de Deus triunfará, e o que é meramente humano (e quanto mais diabólico) perecerá. Todavia, no curto prazo, planos malignos, às vezes, obtêm sucesso, enquanto bons planos, concebidos de acordo com a vontade de Deus, às vezes, fracassam. Por isso, o conselho de Gamaliel não é princípio confiável para verificar se algo vem ou não de Deus.” (Hernandes Dias Lopes, Atos: A ação do espírito santo na igreja. Editora Hagnos, pág 128,129).

                  O raciocínio de Gamaliel foi baseado no “achismo”. “Quem se levantou contra o sistema religioso de Israel pereceu, então eu acho que isso é uma prova do desagrado de Deus”. Ele não analisou a teologia dos apóstolos. Não fez uma comparação entre o que os apóstolos estavam pregando e o que estava dito sobre Jesus no Antigo Testamento. A bíblia é a nossa única fonte para estabelecermos uma doutrina confiável. No meio evangélico hoje acontece o mesmo. “Esse pregador tem uma boa oratória. As pessoas são salvas quando ele prega, muitas são curadas. Então, eu acho que ele é usado por Deus.” “Essa igreja está sempre lotada, a cada dia se agregam novos membros. Então eu acho que essa igreja é genuinamente cristã.” Os exemplos são muitos. A análise bíblico-teológica é deixada de lado para dar lugar a suposições e impressões humanas. Que Deus tenha misericórdia de nós!

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