LIÇÃO 09 – HABACUQUE – A SOBERANIA DIVINA SOBRE AS NAÇÕES

INTRODUÇÃO
Estudaremos nesta lição, sobre o dilema do “profeta-levita” Habacuque com Deus. Analisaremos, que este servo do Senhor, era um homem que buscava respostas perturbado pelo que observava na sua nação (Reino do Sul -Judá). Em seu livro, o questionamento principal do profeta Habacuque a Deus, resume-se a duas perguntas cruciais: (1) Porque o Senhor contempla a maldade de Judá, e mesmo assim não a castiga? (Hc 1.1-4); e (2) Porque uma nação corrupta como a Babilônia, deveria conquistar a nação de Judá, que era menos má? Por fim, após estas duas perguntas ao Senhor e sua rápida resposta, o profeta termina sua profecia com um dos mais belos cânticos da Bíblia, exaltando ao Senhor apesar da iminente derrota de seu povo pelos caldeus.
I – INFORMAÇÕES SOBRE O PROFETA HABACUQUE
Asseguram os estudiosos ser Habacuque da tribo de Levi […] O final de seu livro deixa claro que, de alguma forma, ele era também habilitado oficialmente a participar da liturgia do Templo: “… Ao mestre de musica. Para instrumento de corda” (Hc 3.19). O termo traduzido no texto citado como “instrumento de corda” é “neginoth”, que tem em si a ideia de tanger um instrumento. O capitulo 3 de seu livro é um arranjo musical feito por ele mesmo. Logo, acredita-se que ele também era um levita (COELHO; DANIEL, 2012, p. 72). O comentarista da Bíblia Pentecostal diz: “A referência ao “cantor-mor” sobre os instrumentos de música (Hc 3.19), sugere que ele pode ter sido um músico levita a serviço do santo templo em Jerusalém” (STAMPS, 1995, p.1334).
1.1 Nome. O autor deste livro identifica-se como “o profeta Habacuque” (1.1; 3.1). Além disso, não oferece nenhum outro dado acerca de sua pessoa nem de sua família; e como acontece com a maioria dos “Profetas Menores”, quase nada se conhece sobre Habacuque. Ele não é mencionado em nenhum outro lugar da Bíblia (ELLISSEN, 2012, p. 372). Habacuque é um dos profetas pré-exílicos e só ele, em todas as Sagradas Escrituras, recebe esse nome, que pode significar “abraçado”, “abraço” ou “abraço amoroso”. Uma tradição dos rabinos liga o nome do profeta a (2Reis 4.16), fazendo-o filho da sunamita: “Disse-lhe o profeta: Por este tempo, daqui a um ano, ABRAÇARÁS um filho” […]. Segundo especialistas, seu nome deriva provavelmente de um vocábulo assirio usado para designar uma planta “hambakuku” . Jerônimo, no quinto seculo d.C., afirmou que o nome do profeta derivava de uma raiz hebraica cujo significado era “segurar”, e que recebera esse nome, ou por causa do seu amor a Deus, ou porque lutara com Ele (COELHO; DANIEL, 2012, pp. 70-71).
1.2 Livro. No livro de Habacuque o autor usa ilustrações e comparações cheias de vida (Hc 1.8,11,14,15; 2.5,11,14,16,17; 3.6,8-11).
Podemos identificar na obra pelo menos três estilos literários distintos: (1) o diálogo entre o homem e Deus, o que faz lembrar uma espécie de diário (Hc 1.1-2.5); (2) um conteúdo semelhante ao dos demais livros proféticos do AT, na passagem dos cinco “ais” (Hc 2.6-20); e (3) uma parte poética,, semelhante aos salmos (Hc 3). Assim, podemos dizer que ele é um diálogo, pode ser uma profecia ou um poema. O livro demonstra a grandeza e a excelência de Deus sobre todas as nações (Hc 2.20; 3.6,12), enfatizando a soberania divina. E destaca com a mesma intensidade a fé dos justos (2.4) e a exultação que deve ser dada ao Senhor (3.18,19).
1.3 Período que profetizou. Há apenas três referencias históricas em todo o livro de Habacuque. A primeira se encontra na declaração “Deus esta no seu santo templo” (2.20) e a segunda, na nota ao final do livro “Ao mestre de musica. Para instrumento de corda” (3.19); e em Habacuque (1.6) temos a outra referência histórica onde o texto fala da iminência de um ataque dos caldeus. Esses textos indicam claramente que o autor profetizou antes de o Templo construído por Salomão em Jerusalém ser destruído em 586 a.C. por Nabucodonosor. Por isso, a data sugerida para a profecia de Habacuque na maioria dos estudiosos bíblicos a mais provável é a que se situa em 609 a.C., no fim do reinado do bom rei Josias no reino do Sul (Judá), o qual começou seu governo aos oito anos de idade (2 Cr 34.1-33). “O quadro de violência, contendas e apostasias, tão generalizadas em Judá na época de Habacuque (Hc 1.2-4), parece caber dentro do período que se seguiu imediatamente após a morte de Josias, em 609 a.C” (SCHULTZ, 2009, p. 472).
1.4 Contemporâneos. “Habacuque foi contemporâneo de Sofonias e Jeremias em sua terra (Judá) e de Daniel na Babilônia” (MEARS, 1997, p. 282 – grifo nosso).
II – JUDÁ NOS DIAS DE HABACUQUE
2.1 Situação política. O império mundial da Assíria caíra exatamente como Naum havia profetizado. O Egito e a Babilônia disputavam então a posição de liderança. Na batalha de Carquemis, em 605 a.C, na qual Josias foi morto, os babilônios foram vencedores […] Os juizes eram corruptos e julgavam conforme os subornos que recebiam (MEARS, 1997, p. 282).
2.2 Situação social. A reforma de Josias terminou com sua morte em 609 a.C, e as sementes de corrupção plantadas por Manassés frutificaram com rapidez sob o reinado de Jeoaquim, trazendo um desequilíbrio social muito grande […] Judá era corrupto e estava prestes a ser julgado (ELLISSEN, 2012, p. 373).
2.3 Situação espiritual. Os tempos de Habacuque eram críticos. As suas palavras se justificam plenamente pelo contexto político e espiritual de seu tempo. Logo depois da morte do rei Josias. Joacaz, seu filho, assume o trono, mas só reina por três meses. Faraó Neco vem da campanha em Carquemis no Egito (605 a.C), depõe Joacaz e coloca seu irmão, Jeoaquim (ou Eliaquim) no trono, em seu lugar.
Judá (Reino do Sul) começa agora a pagar tributo ao Egito. E pior: a impiedade voltou a reinar como nos dias do rei Manassés (2Cr 33.1-20; 2Rs 21 1-18) e de seu filho Amom que seguiu bem os passos maus do pai (2 Rs 21.19-26; 2 Cr 33.21-25). As reformas feitas por Josias haviam tido um resultado superficial. Não atingiram em cheio o coração do povo que, mal enterrara seu bom rei, já se entregava de novo ao paganismo (COELHO; DANIEL, 2012, p. 75).
III – A SITUAÇÃO DE JUDÁ NOS DIAS DE HABACUQUE
Os acontecimentos que acarretaram a destruição de Judá, em 586 a.C, e o exílio de seus habitantes na Babilônia estavam diretamente relacionados à incompetência política de seus líderes e à apostasia religiosa […] (2Rs21; 2Cr 34,35). Quando os assírios foram derrotados em Nínive (612 a.C), o Egito tomou o controle de Judá. Alguns anos depois (605 a.C), a Babilônia derrotou o Egito e levou os judeus cativos para sua terra (2Rs 24.18 – 25.12) (SCHULT; SMITH, 2005, p. 227). Vejamos qual a situação de Judá neste período:
Os justos e os pobres eram oprimidos (1.4;13-15);
O povo vivia em pecado aberto (2.4; 14-15);
Havia adoração aos ídolos (2.18-19).
Mediante esta situação, Habacuque faz uma declaração de que “o justo viverá por sua fé”, onde alguns estudiosos do AT preferem dizer: “o justo por sua fidelidade viverá” (Hc 2.4) que é o texto chave do AT usado pelo apóstolo Paulo em sua Teologia da Justificação como também pelo escritor da Carta aos Hebreus ( Rm 1.17; Gl 3.11; Hb 10. 37-38). Texto este que refere-se aos exilados que foram levados cativos pelos caldeus, mesmo sendo fieis a Deus, como por exemplo: Daniel, Hananias, Misael e Azarias (Dn 1.1-6).
Habacuque tem sido tem sido denominado de “o livro que começou a Reforma” (ELLISSEN, 2012, p. 375). Reflitamos o porque da punição do Senhor contra Judá:
O Sofrimento é fruto diretamente do pecado (Gn 3. 13-19; Rm 5.12; 3.23; 8.20);
Deus não é o culpado pelo sofrimento do povo (Pv 26.2; Lm 1.8,9,14,18,20,22);
Existe a Lei da semeadura (Gn 37.20-28; 42.21-22; 2Sm 16.22; Mt 7.1-2; 2Tm 3.13; Gl 6.7-8; 2Co 9.6; Mt 6.19-20; Tg 5.24; Ec 8.11-13; Os 5.7-8; 10.13; Pv 22.8; Jó 4.8; Et 3.6,8,9; 5.14; 10.8);
A situação trágica de Judá foi causa dos seus próprios pecados (Jr 26.7-11,16; Lm 4.13; Jr 42.14; Lm 4.17);
O homem queixa-se dos seus próprios pecados (Gn 50.20; Lm 3.39; Pv 19.3; Mq 7.9).
IV – A ESTRUTURA DA MENSAGEM DO LIVRO DE HABACUQUE
Diferentemente da maioria dos profetas, Habacuque não profetiza à desviada Judá (Reino do Sul). Ele escreveu para ajudar o remanescente piedoso a compreender os caminhos de Deus no tocante à sua nação pecaminosa (STAMPS, 1995, p.1335). Analisemos a divisão da estrutura deste livro:
Em (Hc 1. 5-11) Deus diz ao profeta o que ele está prestes a fazer. Revela o poderio do terrível inimigo de Judá e a devastação que deixará em sua passagem. Descreve a arrogância e o orgulho do inimigo em atribuir seu êxito ao seu próprio deus e à sua própria grandeza;
Em (Hc 1. 12 – 2:1) vemos o modo pelo qual o profeta luta com este problema;
Em (Hc 2. 1-20) o profeta versa sobre o gracioso tratamento de Deus com Habacuque, e o modo como ele capacita o profeta a compreender a situação geral. Deus lhe dá uma visão maravilhosa do futuro, e como no final, se resolverá perfeitamente;
Em (Hc 3. 1 – 19) o livro descreve a reação do profeta mediante sua “visão” mostrada pelo Senhor e seu registro de um dos mais belos hinos do AT. Vejamos um rápida análise deste hino profético considerado como um belíssimo salmo litúrgico:
Os salmos não eram apenas cantados, também eram entoados. Por isso, seus compositores costumavam fornecer, juntamente com suas composições, algumas informações, tais como o instrumento adequado ao cântico, o tom em que ele deveria ser tocado e, as vezes, até a voz mais apropriada. Podemos ver isso nas epígrafes dos salmos (4, 5, 6, 8, 9, 12, 22, 45, 46, 53-62, 67, 69, 75, 76, 80, 81, 84, 88, etc). O Salmo 46, por exemplo, de autoria dos filhos de Coré deveria ser cantado em voz de soprano; e o 6, de Davi, com instrumentos de corda em tom de oitava. O final do livro de Habacuque mostra que o capitulo 3 de seu livro é um arranjo musical feito por ele mesmo. Logo, acredita-se que ele também era um levita (COELHO; DANIEL, 2012, p. 72 ).
V – A ATUALIDADE DA MENSAGEM DE HABACUQUE PARA A IGREJA
O justo não vive pelo que vê, sente, percebe, imagina ou pensa, mas pela fé. “Porque andamos por fé e não por vista” (2Co 5.7). Não que essas coisas não sirvam, vez por outra, para alimentar a nossa fé, mas não podem ser consideradas fundamento para ela. Nossa fé está fundamentada no próprio Deus, e também em sua Palavra. O justo está baseado nela. Sua sobrevivência e êxito dependem da Palavra de Deus (SI 1.1-3). Jesus deixou isso bem claro em seu Sermão da Montanha, na metáfora das casas edificadas sobre a areia e a rocha (Mt 7.24-27). Em outras palavras, nenhuma adversidade, por mais intensa e intransigente que seja, é eficiente o bastante para desestruturar a vida daquele que vive sinceramente pela fé. Se a vida do servo de Deus tem por fundamento qualquer coisa que não seja a verdadeira fé, ela desmorona já na primeira intempérie.
5.1 Habacuque, “um tipo” de Cristo. Normalmente, o ministério profético é diferenciado do sacerdotal da seguinte forma: enquanto o sacerdote apresenta diante de Deus as causas humanas (Lv 4.26), o profeta faz caminho inverso, entregando ao povo aquilo que recebeu do próprio Deus (Jr 1.5). Assim, o ministério sacerdotal é intercessor, enquanto o profético é caracterizado pela transmissão da orientação divina ao povo. Os dois eram bem definidos e se completavam. Lemos que Habacuque, apesar de ser profeta, exerceu um ministério intercessor assim como Cristo (Is 53.12; Rm 8.34; Hb 7.25). Ele não apenas profetizou como Cristo, mas também intercedeu fervorosamente pelo seu povo, como fez nosso amado Senhor (Hb 4.14-16).
CONCLUSÃO
Aprendemos com o profeta levita, que o homem sofre por causa de seus pecados cometidos, e que o Senhor sempre está disposto a conceder uma nova oportunidade, mas, para perdoar, sempre usará a disciplina como fez com Judá e como um pai que ama seu filho (Pv 3.12). Entendemos também que, seja qual for a situação de nossa vida, devemos permanecer fiéis aos Senhor “o justo por sua fidelidade viverá” (Hc 2.4), e louvá-lo sob qualquer circunstância (3.17-19).

 

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