Entrevista com Pr. José Carlos de Lima (Um dos preletores do V Congresso de Missões)

O pastor de 100 mil ovelhas
Em revelações inéditas, o pastor presidente da Assembleia
de Deus na Paraíba diz que seu intuito era ser
médico e jamais pensava em ser o pastor de TODOS.
Ramon Nascimento

Neste mês, ele completa 61 anos de idade. Um homem que sonha, chora e comete erros como qualquer outro ser humano. Deus disse que ele seria o Pastor de Todos, e hoje, as estatísticas comprovam isso: a igreja que ele preside alcançou uma média de 100 mil pessoas em toda a Paraíba. Esse número pode ser explicado a partir de análises bem conservadoras, pois, segundo a Comadep (Convenção de Ministros da Assembleia de Deus na Paraíba), existem 160 campos da AD ligados à sede em João Pessoa. Nas páginas a seguir, você vai saber o que pensa um pastor, cuja profissão era encanador, mas o propósito de Deus o entregou ao ministério pastoral. No gabinete, esse pastor nos recebeu sem hesitar. O homem de poucas palavras nos concedeu uma entrevista exclusiva que durou mais de 1 hora. O suficiente para você entender o porquê desse líder não negociar com política, conservar a sã doutrina, ter sonhos, e, um dia, chegar a pensar e dizer que iria entregar tudo e procurar outro modo de vida. Esse homem é José Carlos de Lima, pastor presidente da Assembleia de Deus na Paraíba.
Chamada
Pastor, como foi o seu chamado para o ministério pastoral?
Desde que entreguei a minha vida ao Senhor Jesus, eu pude perceber o plano que Deus tinha a realizar em mim. E à medida que eu fui desenvolvendo na vida espiritual, foi se tornando evidente uma chamada dentro de mim para servir ao Senhor na Sua obra. Relutei muito, porque o meu sonho era estudar para me formar em medicina, mas  costumo dizer que diante dos desígnios de Deus, deve-se calar a nossa pobre mente. Deus é absoluto e sabe muito bem o que faz.
E para presidência, como foi o processo?
Depois de longos anos servindo ao Senhor no campo de missões e evangelização no interior do Estado, eu fui avisado por Deus que iria assumir a liderança da igreja de uma forma total. O Senhor disse que eu seria pastor de todos. E por não entender esse “de todos”, fiquei com dúvidas. Há 30 anos, não tinha a ideia que iríamos ter a Convenção aqui no Estado. E eu nunca tomei a liberdade de dizer para alguém que um dia ocuparia essa tão grande responsabilidade. Mas Deus, que sabe trabalhar de forma especial, me conduziu pelo caminho que Ele quis, e por vontade D’Ele hoje sou presidente da igreja e da Convenção.
Desafios
O senhor lembra os desafios que enfrentou logo quando foi nomeado pastor presidente?
O maior desafio que enfrentei foi a incompreensão. Porque como irmãos, a gente sente aquela falta do apoio e do reconhecimento da autoridade delegada por Deus. Mas Deus tem me dado sabedoria e prudência para reconhecer essas coisas.

O senhor já pensou em desistir, alguma vez, de ser presidente?
A princípio as lutas foram muito grandes e um dia e me vi como se sozinho nesta peleja. Eu disse para Deus que eu ia entregar tudo e ia procurar um modo de vida e me render totalmente. Mas naquele dia, Deus me enviou uma equipe de pessoas de Recife que vieram ao nosso templo e por fim, subiram ao gabinete. Naquela oportunidade, Deus usou uma irmã que olhou para mim e disse: “por que tu disseste que iria entregar o trabalho? Fui eu quem te chamei. Ficarás aqui até o tempo que Eu quiser. Eu sou Jesus, o teu amigo!”. Isso foi muito marcante em minha vida. Logo após a saída daquela irmã, dobrei os meus joelhos, pedi perdão a Deus e disse a Ele que estava pronto a cumprir toda determinação que Ele já havia prescrito para mim.
Foi na sua gestão que os Encontros de Casais e de Jovens com Cristo foram implantados na Assembleia de Deus?

Sim! E para mim, foi um grande desafio moldar a igreja a esses trabalhos, que outras denominações já desenvolviam. Por muitos eu fui criticado e até ameaçado sobre o meu ministério…
Ameaçado a perder o cargo?

Não! Não de perder o cargo. Porque a quem Deus confia a responsabilidade, Ele cuida. Mas de desprezo e de incompreensão porque muitos diziam: ‘esse tipo de trabalho a AD não desenvolve’. Eu temi muito! Fiquei preocupado com a implantação do Encontro de Jovens e de Casais. Liderar não é fácil. É tanto que eu digo que liderar e administrar são duas ciências difíceis, porque é contrariar interesses. Mas, pela graça de Deus, a igreja já abraça com muito dinamismo este trabalho e ele tem tomado uma dimensão toda especial.
Os retiros de carnavais, o senhor apóia?

Eu não sou de acordo que a igreja se retire para um retiro, deixando a sua área de atuação. Promovemos estudos bíblicos para que a cidade fique mais aproximada de Deus e também uns dos outros, principalmente, nesses momentos que outras igrejas promovem retiros. Nunca participei de retiros.
Doutrina
Sabemos que o pastor da igreja deve manter sempre o cuidado com a doutrina. Como o senhor tem tido esse cuidado?
Desde que comecei a servir ao Senhor no interior da Paraíba, que me mantenho como um defensor dessa doutrina. Até porque nós fomos bem criados e ensinados. Eu tive a felicidade de ser pastoreado pelo saudoso pastor Antônio Petronilo dos Santos. Homem de vida ilibada e que deixou um legado todo especial para nós e para o líder que o substituiu, o pastor Antônio Fernandes das Chagas, que também nos ensinou de forma muito firme, no Evangelho.
Qual a sua visão a respeito dos tão famosos usos e costumes da igreja?
A doutrina, nós sabemos que é imutável, inegociável. Usos e costumes, dependendo de cada região, variam muito, mas graças a Deus que aqui no Nordeste, os pastores que presidem igrejas trabalham de forma coerente. Há alguns exageros, alguns que querem viver a vida a seu bel prazer, ao seu modo, esses daí tomam o destino que eles querem. Mas a igreja pela graça de Deus permanece firme.
Conservadorismo
Muita gente o considera um pastor conservador-radical. O senhor também se considera?
Não, eu não me vejo uma pessoa radical. Agora, conservador sim. Ensino a Palavra na simplicidade que é peculiar. E eu vejo em tudo Deus confirmando o Seu trabalho. Quem nos visita fica admirado com o crescimento da igreja. Eles me perguntam o segredo e eu digo: ‘é apenas a ministração da
Palavra e o cuidado, o zelo doutrinário com o povo ’. Causam impactos os nossos cultos de segundas-feiras. São os cultos que a igreja lota e o povo vem para ouvir a Palavra de Deus. Isto é muito interessante e está se tornando um destaque em todo o Nordeste. Quem quiser ver uma igreja que se reúne para ouvir a Palavra, venha a João Pessoa. Mas tudo isto por misericórdia de Deus.
Diferentemente de outras denominações, por que AD mantém uma rotatividade entre dirigentes e obreiros nos campos?

Esse trabalho que nós fazemos de rotatividade faz parte do que está prescrito no nosso Estatuto. O estatuto social da igreja diz que os dirigentes das igrejas obedecerão a uma rotatividade, é o que chamamos de escala de culto. Qual o tempo máximo que um dirigente ou obreiro fica na congregação ou no campo? Isso depende muito dele. Alguns, por estar à frente de uma igreja, uma congregação de porte médio ou de porte mais elevado, se julga como se fosse um pastor e nós não trabalhamos aqui assim. Trabalhamos na responsabilidade de que estamos servindo ao Senhor humildemente.
Música
Desde que o senhor assumiu a presidência, vários cantores renomados já visitaram algum templo da AD aqui na Paraíba, por exemplo, Lauriete, Elaine de Jesus, Marcelo Nascimento e outros. Esses cantores são sinônimos de casa cheia?
Não é tanto motivo de casa cheia. É porque o nosso povo é muito apegado a valores especiais. A maioria desses cantores tem um grau de aproximação com o povo e o povo tem muito prazer em ouvi-los. Ter o que é de melhor é do povo assembleiano, em especial os nossos cantores. Pregadores de fora, quando vêm, e desviam um pouco da doutrina bíblica, não voltam mais? Nem sempre! Quando nós convidamos alguns companheiros, convidamos já conhecendo a sua forma de viver e servir.
Quais os estilos musicais que o senhor gosta de ouvir em casa, no carro…?
Pela minha forma de ser, eu sou muito tradicional, dentre eles, gosto de ouvir Oséias de Paula, que considero o príncipe dos cantores.
E algumas letras atuais? O senhor concorda?
Não, concordo não. Mas o tempo e as coisas mudaram muito. O povo de hoje é um povo diferente de quando abracei a fé.
Política
Finalmente, foi com recursos próprios que a igreja implantou o ar-condicionado no templo central?
O ar-condicionado do nosso templo foi um presente do nosso amigo e pastor, Philemom Rodrigues. Ele havia conversado comigo, porque muito antes apareceu um cidadão que me ofereceu a implantação do ar, aqui na igreja. Ele me falou que Deus havia o mandado doar o ar-condicionado. Como se tratava de uma época política, eu tive a ousadia de dizer: ‘o senhor diga a Deus que eu não aceito’. Porque a igreja de Deus não pode ser de maneira nenhuma presa à política. Eu tenho a igreja como coluna e firmeza da verdade; e não negocio com política. Política, à parte.
Então, a ADPB não vai apoiar nenhum candidato nas eleições 2012?
As coisas ainda têm que tomar o rumo correto. Tem muita água para passar por baixo da ponte e um pastor precisa ser muito ético e cuidadoso nessa parte.
O seu filho, Pr. Isaac Venerando, era pré-candidato a vereador na capital. Mas desistiu. O senhor o influenciou?
Eu apenas o aconselhei e disse que ia continuar orando. Nunca vi isso como o objetivo de Deus para ele. E nem para nenhum outro filho meu. Não sou contra a política. Reconheço que a política é a arte de administrar bem, mas aqueles que foram chamados ou vocacionados para tal “mister” ,que o façam. Agora, Isaac não. Eu agradeço a Deus porque foi o Senhor quem tirou da mente e do coração dele esse afã de ser candidato a vereador. Aqueles que Deus já tem levantado e aqueles que, possivelmente, se levantarão, darei o meu apoio. Farei a minha parte como sempre fiz. Sem me envolver com política. Porque o pastor, ministro, deve reconhecer que foi chamado para servir, cuidar do rebanho de Deus e não se envolver na área política.
Teologia
A ADPB tem um centro de estudos teológicos. O senhor incentiva os obreiros a fazerem o curso de teologia ministerial?

Não só incentivo, como também auxiliamos no pagamento para que estes façam o curso de educação teológica. O ministro tem que ter um curso de educação teológica. No mínimo, o básico.
O senhor já concluiu seu curso de Teologia?
Eu fiz o básico e o médio. Futuramente eu vou fazer o bacharel em teologia.
Consagrações

Na última Escola Bíblica de Obreiros foram consagrados 840 obreiros. Isso representa a maior consagração da ADPB em 94 anos de história no Estado. Foi por conta da carência de pessoas na obra do Senhor?

Julgo que também foi carência. Obreiros são poucos e foi o Senhor Jesus quem falou sobre isso. Tem muitos fazendo obra, mas eles não são realmente obreiros.
Mídia

A rádio CPAD FM é uma concessão pública à igreja?
Ela é uma concessão da CGADB, a qual tem como curador, o pastor José Wellingtton Bezerra da Costa.    Isso foi uma concessão para as igrejas. E a única igreja no Nordeste que foi contemplada foi João Pessoa.

O senhor está satisfeito com a programação local da rádio?
Sim, estou satisfeito. A nossa rádio CPAD tem sido elogiada pelos programas que faz. Sempre há algumas coisas que é preciso controlar, porque há pessoas que exageram, não observando que essa rádio é Educativa e Evangélica. Então tem que ter todo cuidado possível para que as coisas não tomem rumo ignorado.
O senhor também é cidadão. Precisa ficar informado. Onde o senhor busca informações?
Eu gosto muito de ler bons livros, a revista Veja e o jornal diário.
Missões
Os missionários estão sendo mantidos em 6 países pela ADPB . A igreja pretende enviar mais missionários?
O nosso objetivo é cumprir o que Deus me revelou há 30 anos quando eu nem sonhava assumir a
presidência da instituição. Tenho sonhos de enviar mais missionários à África e à Holanda.
Quais os países que o senhor já visitou?
Só visitei a Bolívia. Sou muito restrito a viagens para o exterior, haja vista, esse contexto de guerra, então, prefiro ficar no Brasil (risos). “O pastor deve reconhecer chamado para servir, cuidar de Deus e não se política”
EBD
Muitos alunos criticam a defasagem na estrutura da Escola Bíblica Dominical. O senhor ver um futuro promissor para a EBD?

Olha, eu ignoro as pessoas que falam assim, porque esses que criticam, não participam. É fácil a gente criticar, porque língua não tem osso. Mas eles deveriam participar da EBD. E não participam. Pode observar que todo crítico não participa.
Projetos
O centro de recuperação para dependentes químicos, no Conde, existe ou é apenas um projeto?
Ele já existiu. Foi um dos planos elaborados por mim e pela diretoria. Mas não surtiu efeito com a pessoa que nós planejamos. Então eu dei de mão e não fiz mais. Sinta-se chamado e obedeça às normas da igreja. Do contrário eu não trabalharei dessa forma. Fiz o que pude. Mas infelizmente não logrou o resultado positivo. Lamento, lamento profundamente. Por sinal, na cidade de Patos, o Pr. José Paulo Carvalho está lutando por um empreendimento dessa natureza.
Por que a ideia de fazer congressos setoriais?
Porque da maneira que os trabalhos vinham sendo desenvolvidos, tornavam-se muito repartidos e a gente já não podia atender a demanda de cada congregação. Nós temos 140 congregações, então é impossível dar assistência de forma simultânea.
O portal ADPB noticiou que o templo central passará por reformas. Quando será isso?
Estamos com a documentação em trâmite. A diretoria está cuidando dessa parte e logo que isso venha ser autorizado pelas leis do nosso Estado, estaremos entrando em ação.
E sobre a criação de um colégio evangélico assembleiano. Isso é verdade?
É um sonho a ser realizado. Mas somente Deus pode fazer, pois nossos recursos ainda são pequenos para tal envergadura.
Cite alguns projetos que estão em pauta e serão implantados de imediato.
Não gosto de prometer determinadas coisas e depois não realizar. E alguém dizer: ‘prometeu e não cumpriu’. Detesto isso. Eu acho que as coisas devem acontecer normalmente. Mas, um dos sonhos que tenho é de ter um abrigo para idosos. E por sinal já compramos o terreno satisfatório. Se Deus me permitir eu farei o Lar do Idoso da nossa igreja.
Sucessão
O senhor se preocupa com a sucessão presidencial?
Não me preocupo. Eu oro para que Deus vá trabalhando em companheiros que possam amanhã dar continuidade a esta grande obra. Não me preocupo, porque a igreja não é minha. A Convenção que estou presidindo também não é minha. A minha própria alma não é minha. Eu já a entreguei ao Senhor.
Agradecimentos
Só agradecer a Deus. E dizer que o desejo dos justos, Ele cumprirá. A minha esperança e confiança estão
no Senhor. Rogamos orações da igreja de Deus e de todos os companheiros de Ministério e Convenção ao meu favor, para que Deus ensine a conduzir-me, prudentemente, na igreja de Deus e prosseguir até completar os meus dias, que Ele já agendou, e determinou. Ao Pr. José Carlos A equipe de reportagem da ADPB em revista parabeniza o Pr. José Carlos de Lima e deseja-lhe que o nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo continue abençoando sua vida, seu ministério e sua família. São os votos de cada um que contribuiu para a realização desta entrevista especial: Ramon Nascimento, Eduardo Leandro, Saulo di Tarso, Salismar Júnior, Raquel Monteiro e Lindeberg Cardoso.
Ao Pr. José Carlos
A equipe de reportagem da ADPB em revista parabeniza o Pr. José Carlos de Lima e deseja-lhe que o nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo continue abençoando sua vida, seu ministério e sua família. São os votos de cada um que contribuiu para a realização desta entrevista especial: Ramon Nascimento, Eduardo Leandro, Saulo di Tarso, Salismar Júnior, Raquel Monteiro e Lindeberg Cardoso.

Reportagem retirada da Revista “ADPB em Revista”. ano 3 | nº17 – 07.2012 | www.adpb.com.br

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