Desarraigados do mundo

 “O qual se deu a si mesmo por nossos pecados, para nos desarraigar do presente século mau, segundo a vontade de Deus nosso pai” (Gl 1.4). Paulo usa a figura de uma árvore sendo arrancada pela raiz para ilustrar o fato de que o Cristão precisa arrancar o “mundo” da sua vida.

         O mundo não havia saído de Israel

             Na travessia de Israel pelo deserto rumo à terra prometida o povo demonstrou que ainda estava ligado pela raiz com o Egito. O povo começou a duvidar e murmurar contra Deus e começaram a sentir saudades dos prazeres do Egito “Lembramo-nos dos peixes que no Egito comíamos de graça; e dos pepinos e dos melões, e dos porros, e das cebolas e dos alhos.” (Nm 11.5). Fica evidente que os israelitas tinham apenas um relacionamento superficial com Deus, se o “buraco” fosse cavado mais um pouco descobririam que a raiz do seu coração estava nas coisas deste mundo.

       Deus não nos desarraigou para atender o nosso bem estar

 

              “Portanto, esta era a mensagem que Paulo pregava: Cristo se entregou pelos nossos pecados não com o propósito de nos fazer felizes-como afirma hoje o evangelho da prosperidade pregado hoje no Brasil, segundo o qual Cristo veio resolver os nossos problemas e nos trazer conforto e tranquilidade nesta vida-, mas, sim, a fim de nos desarraigar deste mundo tenebroso, nos livrar da presente era de maldade e perversidade.” (Augustus Nicodemus. Livres em Cristo-A mensagem de Gálatas para a igreja de hoje. Vida nova, 1 Ed. Pág 23,24.)

              O objetivo do evangelho é de nos resgatar deste mundo e nunca proporcionar uma vida de bem estar como se a eternidade fosse aqui.

          O Cristão é um peregrino

 

            “Amados, peço-vos, como a peregrinos e forasteiros, que vos abstenhais das concupiscências carnais que combatem contra a alma;” (1 Pe 2.11). Pedro está dizendo: “se vocês tem consciência de que são apenas peregrinos e forasteiros neste mundo se abstenham das práticas carnais”. Quando Jesus contou a parábola da semente ele falou de uma semente que caiu entre os espinhos e foi sufocada por eles. (Mt 13.7). Jesus depois explicou que essa semente representa aqueles que ouvem a palavra, mas, os cuidados deste mundo sufocam a palavra e ela torna-se infrutífera. O crente pode tornar-se tão envolvido com suas atividades diárias que se esquece de que é apenas um estrangeiro neste mundo, seu porto de destino não é aqui.

      Ser desarraigado do mundo não é ser legalista

          O Cristão não pode ser um eremita. Há crentes que com o argumento de que precisam separar-se do mundo evitam todo tipo de atividade como se o próprio ar fosse contaminá-lo. Ser desarraigado do mundo é arrancar a nossa mente, nossa vontade e nossas emoções do mundo sem, porém, deixar de desfrutar das coisas boas que Deus proporcionou tanto a crentes como a descrentes segundo a sua graça comum. “Toda boa dádiva, todo dom perfeito vem do alto, descendo do pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação.” (Tg 1.17). Todo talento, todo dom tem origem em Deus mesmo que o ímpio não tenha a intenção ou não perceba ele glorifica a Deus com seu talento, o diabo não tem nada para dar a ninguém. Nem tudo no mundo foi corrompido pela queda ainda há reflexos da obra do criador na sua criação.

            Conclusão

         Quando a bíblia fala que devemos ser desarraigados do mundo ela não está falando de evitar todo tipo de atividade, algo não torna-se pecaminoso só porque o ímpio faz, do contrário deveríamos sair do mundo, nem uma roupa poderíamos comprar. A “raiz” do nosso ser está em nossos pensamentos, vontade e emoções e é isso que tem que ser desarraigado “Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, fornicação, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias. São estas coisas que contaminam o homem; mas comer sem lavar as mãos, isso não contamina o homem.”(Mt 15.19,20).

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