Cinco razões pelas quais os cristãos não estão impactando a cultura

Cinquenta e nove anos atrás, o grande teólogo e pastor alemão Dietrich Bonhoeffer pisou numa plataforma num campo de concentração nazista. Momentos depois, seu corpo pendia flácido, enforcado. No dia 9 de Abril de 1945, Bonhoeffer se juntou a uma longa lista de mártires cristãos.

Embora sua morte tenha sido memorável, esta foi simplesmente o ponto de exclamação ao fim de uma vida que encarnava a essência da fidelidade cristã. Mesmo a Alemanha sendo sua terra, ele não se prendeu lá. Foi o Holocausto que o levou a retornar, o compelindo para o coração do território nazista onde ele iria ajudar e proteger os judeus que estavam sendo perseguidos sem misericórdia. Durante este processo, ele impactou profundamente o pensamento cristão, escrevendo sobre uma dúzia de diferentes assuntos. A maioria destes, como Ethics, Discipleship, and Life Together se tornaram clássicos cristãos. Sua oposição ao regime nazista foi o que o levou a ser detido e preso.

E mesmo tendo sido preso junto com os judeus que um dia ele protegeu num campo de concentração, sua influência não parou. Durante sua prisão, Bonhoeffer (assim como o apóstolo Paulo) continuou a escrever tratados para a igreja. Foi neste período que ele escreveu seu famoso trabalho Letters and Papers from Prison. Bonhoeffer entendia que a fidelidade cristã não depende de poder ou das circunstâncias para ser eficaz. Na verdade, é como se vive quando estas são inúteis que a fidelidade cristã é mais impactante.

Eu penso que Bonhoeffer, na cultura de hoje em dia, teria muita sabedoria para oferecer aos cristãos. A verdade é que, apesar da forte batalha travada pelos cristãos na cultura atual, nós estamos perdendo nossa influência.

Aqui estão cinco motivos pelos quais os cristãos de hoje em dia estão perdendo a habilidade de serem culturalmente relevantes e impactantes… E o que nós podemos fazer em relação a isso.

Motivo 1 – Nós rotulamos.

Discordâncias são naturais e até importantes. Sem a discordância e discussão no curso da história cristã a maioria das nossas mais importantes e centrais doutrinas não teria existido. O problema começa quando a discordância evita o diálogo ao invés de estimulá-lo. Ainda assim, é o que nós temos feito. Nós estabelecemos categorias onde colocamos os dissidentes. Apoia o casamento tradicional? É um homofóbico. Apoia o casamento de pessoas do mesmo sexo? É um liberal sem deus. Rejeita a evolução? Ignorante. Acredita na evolução? Secularizado. A lista continua…

Somente quando abandonarmos os rótulos e deixarmos de censurar pontos de vista diferente que nós poderemos ter uma conversa produtiva sobre essas visões. Até que possamos afetar, através da nossa fé, uns aos outros, temos pouca esperança de afetarmos de forma impactante nossa cultura.

Motivo 2 – Nós politizamos.

Bonhoeffer, como tantos outros cristãos antes dele, nos deixou um ótimo exemplo sobre isso. Sua mais impactante presença não foi num lugar de poder mas num lugar de fidelidade. Há uma boa razão para que Deus diga a Paulo “A minha graça de basta, porque meu poder se aperfeiçoa na fraqueza.” (2 Cor 12:9).

Ainda assim nós abandonamos a inversão de poder de Deus. Com o enfraquecimento da nossa influência cultural a resposta dos cristãos foi estreitar nossa relação com a política. Incapazes de capturar os corações e mentes da nossa geração, nós decidimos impor a aparência de Cristo. Mas não é o governo que salva as pessoas. Não é impondo leis baseadas na ética cristã que corações são mudados e almas, redimidas. É a fidelidade sendo vivida de forma tangível que nos conecta com aqueles ao nosso redor.

Motivo 3 – Nós externalizamos.

Com a cultura mudando e se tornando cada vez mais pós-cristã, os cristãos começaram a serem distraídos por isso. Nós criticamos e apontamos, olhando para todas as formas onde o centro da nossa fé está sendo violado. E isso não é difícil de encontrar. Os valores dos nossos dias são exaltados em outdoors, celebrados na música e enaltecidos no cinema. Organizações comerciais adotam políticas que nós discordamos e pastores revelam escândalos nos seus ministérios. Se queremos apontar, temos para onde.

O problema é que nós estamos tão focados em apontar que nos esquecemos de refletir sobre o problema. Enfatizamos tanto o pecado do outro que nos esquecemos de nos examinar. Pior, nós deixamos que as falhas dos outros sejam desculpas para a nossa própria desobediência.

Existe uma razão para que Jesus nos lembre da trave no nosso olho.

Motivo 4 – Nós fixamos.

Se nós conseguirmos chegar num ponto onde a igreja se empenhe e tente resolver os problemas em que está enfrentando ao invés de estigmatizar, politizar e externalizar, nós podemos ter algum progresso. Infelizmente, o fato pelo qual continuamos a nos movimentar traz consigo outro problema: nós nos tornamos tão atentos em apontar o nosso ponto de bloqueio que não conseguimos ver ao redor.

Eu acredito firmemente que este é o motivo responsável pelo êxodo dos cristãos, que escolhem abandonar as crianças que eles tinham decidido patrocinar quando a World Vision anunciou a mudança na sua política. O debate sobre a homossexualidade é um problema que os cristãos de hoje em dia precisam ter, definitivamente. Mas não é o único problema. Quando um único problema se torna o foco de forma tão intensa que esquecemos que há outros, então nós nos tornamos distraídos. Como cristãos, nós fomos chamados para combater todo e qualquer tipo de injustiça.

Algumas vezes é necessário voltar atrás e olhar todo cenário.

Motivo 5 – Nós reagimos.

Se você quer sentir um pouco de vergonha pegue um jornal e abra na seção religiosa. Inevitavelmente haverá um artigo, editorial ou opinião que mostra uma reação instintiva sobre um evento cultural. Quase sempre a resposta é um pensamento pobre e cheio de sentimentos. Quase nunca reflete positivamente a nossa fé.

Agir de forma reacionária nunca funciona bem. Isso destrói relacionamentos e retira credibilidade.  Também faz com que fiquemos fixados em eventos passados ao invés de olhar para o futuro. Quando somente reagimos nós não temos como agir de forma efetiva.

E então, o que faremos ?

Se o problema é em como nós estigmatizamos, politizamos, externalizamos, fixamos e reagimos então deixe-me oferecer cinco pequenas sugestões para que tenhamos uma fé que influencia nossa cultura.

–       Ouça. Melhor do que rotular aqueles que possuem uma opinião oposta, tome um tempo para entendê-los. Pergunte os motivos para eles possuírem aquele ponto de vista, busque entende-los e então comece uma discussão.

–      

–       Viva. Ao invés de nos focar em como forçar as pessoas ao nosso redor a viver através do legalismo, foque-se em se tornar uma testemunha fiel do caminho de Cristo.

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–  Olhe para dentro de si. Ao invés de apontar os pecados da cultura ao nosso redor, sejamos diligentes em examinar nossos próprios corações. Lembre-se que nós somos estrangeiros numa terra desconhecida. (1 Pe 2:11)

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–       Ame. Melhor do que se fixar nos problemas da nossa sociedade, dê um passo atrás. Tenha perspectiva. Depois pergunte “Como posso demonstrar o amor de Cristo?”

–      

–       Aprenda. Ao invés de reagir aos eventos e circunstâncias, reflita. Aprenda com a situação. Permita que esse aprendizado nos leve a mudar de forma pró-ativa a nossa cultura ao invés de reagir contra ela.

 

Não foi através do poder que os cristãos mudaram o mundo. Foi sempre através da fidelidade, através da demonstração ativa de um modo diferente de viver que teve o maior impacto. Bonhoefffer nos mostrou isso assim como vários outros antes dele.

E nós temos a chance de participar deste legado.

http://tehanna.com/why-christians-arent-impacting-culture/

 

T E Hanna is the author of Raising Ephesus: Christian Hope for a Post-Christian Age and has published articles across the web on issues of faith and culture.

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