Marta e Maria: duas filosofias de vida

 
  Podemos classificar esses dois personagens bíblicos em dois modelos de conduta ou duas filosofias de vida. Uma ideal e a outra de forma negativa. Marta  e Maria viveram há dois mil anos atrás, mas seus estilos de vida são atemporais. Não foi à toa que esse episódio está descrito na Bíblia que é mais atual do que o jornal de amanhã. 
 

            “E aconteceu que, indo eles de caminho, entrou numa aldeia;” (Lc 10.38a)

Essa aldeia era Betânia que ficava há cerca de 3 Km de Jerusalém. Foi nessa aldeia que Jesus foi elevado aos céus diante dos seus discípulos “E levou-os fora, até Betânia; e, levantando as mãos, os abençoou. E aconteceu que, abençoando-os ele, se apartou deles e foi elevado ao céu.” (Lc 24.50,51)
 

           “E certa mulher, por nome Marta, o recebeu em sua casa” (Lc 10.38b)

      Certamente um desafio extremamente grande para qualquer pessoa, qual seja, receber o Messias em casa. As pessoas reagem de diferentes maneiras aos desafios. Há os que se acovardam, os que de tão ansiosos se desequilibram emocionalmente e aqueles que como Marta são perfeccionistas querem cumprir o desafio com perfeição, sem erros, para serem reconhecidas depois. Marta está no grupo de pessoas que se preocupam com que os outros irão dizer. É a pessoa que vive de aparência, nada pode estar fora dos eixos. É o tipo de pessoa que quer ter o controle de tudo na sua vida e quando algo sai do eixo se desesperam.
 

       “Tinha esta uma irmã, chamada Maria, a qual, assentando-se também aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra.”(Lc 10.39)

 
   Duas irmãs com estilos de vida completamente diferentes. Elas viviam sob o mesmo teto, tiveram o mesmo método de instrução dado pelos pais e viveram no mesmo meio ambiente. Na igreja somos irmãos em Cristo, mas sabemos que nem todos desenvolvem a mesma filosofia de vida. Nem todos possuem um caráter cristão. Maria não se importava nem um pouco com a opinião das pessoas. Ela assentou-se aos pés de Jesus e esqueceu tudo que tinha a seu redor. Provavelmente ela sabia que sua irmã iria criticá-la, mas não se importou. Maria é o tipo de pessoa que descansa nas palavras do Senhor, que saboreia o evangelho ao ponto de assentar-se e esquecer-se de tudo. Ela não era alienada, simplesmente estabelecia as prioridades de forma correta.
 

      “Marta, porém, andava distraída em muitos serviços e, aproximando-se, disse: Senhor não te importas que minha irmã me deixe servir só? Dize-lhe, pois, que me ajude.”(Lc 10.40)

         Quando Jesus contou a parábola do semeador uma das sementes caiu entre espinhos e os espinhos a sufocaram. Os cuidados deste mundo podem sufocar a vida do crente. Preocupações diárias com alimento, emprego, filhos, estudos podem sufocar a vida do crente se ele não descansar em Deus. Marta repreendeu Jesus por ele ser conivente com a atitude de Maria. É como se ela dissesse “estou fazendo o meu melhor para te receber e o Senhor fica conversando com minha irmã?” Ela ficou surpresa por Jesus não dar a importância que ela queria com o serviço da casa. Há crentes que dão tanta importância a obra de Deus que se esquecem de ter um relacionamento íntimo com ele. Perguntam ao Senhor qual o problema em suas vidas se eles estavam fazendo todo o seu melhor no serviço da casa de Deus e não estavam obtendo o resultado esperado. Não compreendem que a adoração é o melhor serviço, cultivar o caráter cristão é melhor do que sacrificar.
 

“E respondendo Jesus disse: Marta, Marta, estás ansiosa e afadigada com muitas coisas, mas uma só é necessária; e Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada.” (Lc 10.41,42)

Jesus chama Marta com ênfase: Marta, Marta. “Essa foi a única vez que Jesus chamou a atenção de alguém com tanta veemência nos Evangelhos! Por que tanta determinação no chamado? Em primeiro lugar, a ativista Marta tem dificuldade em escutar. Ela estava sobremaneira ocupada para ouvir a voz de Deus, como aconteceu com algumas pessoas na Bíblia (Dn 2.5,13-15; At 24.25). Em segundo lugar, Marta estava perdendo o melhor de Deus, porque estava viciada em trabalho (Ec 4.6). Os que andam com o Altíssimo aprendem a desfrutar dos bens recebidos, pois isso é um dom de Deus (Ec 5.19), porém Marta vivia emocionalmente como uma ímpia, a qual não conseguia se alegrar com aquilo que possuía (Ec 6.1,2). Tudo era causa para preocupações, estresses e pesadelos” (Ec 5.3). (Reynaldo Odilo. Tempo para todas as coisas. CPAD, 2017)
Jesus replica Marta dizendo que somente uma coisa é necessária: estar aos pés dele. Estar aos pés de Jesus não é perda de tempo, é otimização de tempo. É a melhor parte, o “optimus”. Querer agradar os outros, viver de aparência, querer ter o controle das situações é vaidade por que tudo passa. Porém, estar aos pés de Jesus é condição indispensável para a vida eterna. Precisamos nos examinar diariamente. Precisamos meditar nos ensinamentos de Cristo. Precisamos pensar. Analise as circunstâncias da sua vida sob a perspectiva bíblica diariamente. Como Maria esteja atento ao que Jesus está ensinando. Gostamos muito de sentir, mas esquecemos de pensar. O evangelho só é autêntico quando tem implicações práticas. Quando causa reflexão. 

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